quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

casablanca is analog





domingo, 30 de janeiro de 2011

são voltas às voltas

Gosto de viver em diferentes lugares, de observar como a luz incide numa esquina, como uma erva emerge de uma laje solta, assistir à forma como fluem as coisas e as pessoas, mas é quando o meu caminho se cruza com o de outros que observo a transformação do mundo a que os meus olhos se habituaram, quando o palco do ilusionismo dá lugar à magia.


Esta entrada no vAleTe marca o início de uma nova etapa. Uma aventura num novo continente, numa cidade nostálgica pelo glamour de outrora, com receios próprios de tempos conturbados e à procura de um apoio seguro para dar um passo em frente. Assim é Casablanca, aquela que será a minha casa para os próximos seis meses!


à noite, todos os gatos são pardos


Cheguei a Casablanca na noite de 25 de Janeiro, com um sorriso na cara depois de uma escala de algumas horas noutra casa, a de Madrid.

Por diversas vezes o trânsito caótico, fez com que o sorriso desse lugar uma gargalhada, com a viagem de 30 minutos de carro até ao hotel a ser preenchida por inúmeros encontros imediatos com motoretas kamikaze-sem-luz, semáforos de accionamento manual e exaltadas trocas de impressões entre um operário das obras de construção do metro e um taxista.

Mas se a confusão a poucos metros de nós era grande, o mesmo não se podia dizer da paisagem, que à fraca luz não se deixava avistar. Na entrada do Guynemer, um hotel velhinho mas de trato extremamente amigável, a sensação de chegar a casa, o que de facto viria a ser uma realidade na semana que se seguiu.


de dia, a maioria dos gatos são pardos


Com o nascer do dia e o aparecer de um sol envergonhado, pude de facto observar que a magia de Casablanca não reside certamente na sua beleza estética e comecei a perceber que haveria que procurar bastante no meio de tanto caos, ruas degradadas e sujidade.

Mas porque estas coisas têm de ser feitas de ânimo leve, logo percebi que como em todos os lugares existem pequenos detalhes, que de facto existem pontos que tornam este um lugar interessante, e nestes dias até já pude visitar alguns deles. As ruínas dos edifícios da época colonial permitem imaginar o esplendor de outrora, a imponência da mesquita Hassan II, ou a fervilhante medina antiga, certamente serão alguns dos locais aos quais certa e invariavelmente voltarei durante os próximos tempos. Terei tempo para aprender curiosidades e factos históricos da cidade. Caso não existam, encarregar-me-ei de inventar outros que entretenham aquelas que espero virem a ser as visitas de alguns de vocês!


Porque acho que num lugar destes o analógico tem mais encanto, só em breve terei alguns instantâneos destes dias, mas para aguçar o apetite, aqui ficam alguns factos e resoluções para os dias aqui vividos e para os outros que se seguem:


- As passadeiras e os semáforos vermelhos são meramente indicativos.

- Nem sempre a chuva lava a sujidade.

Se até é quentinho, porque não sair de pijama para a rua?

- A tradicional bata de dona de casa portuguesa tem algum tipo de relação com a versão marroquina, mas a congénere lusitana é muito mais bonita e não causa tonturas após um olhar mais atento.

- Talvez depois de a minha pele apanhar algum sol, espero não receber em troca uma garrafa de água sempre que pedir um café.

- Tenho duas hipóteses - saio daqui fã da decoração marroquina ou fanático da decoração minimalista.

- Número de acidentes envolvendo pessoas, viaturas ou motociclos: 4

- Nº de acidentes graves: 0

- Nº de acidentes com desfecho amigável: 3

- Nº de acidentes que implicam presença de peritagem e procedimentos de marcação da via com um calhau caiado: 1

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

magusto

porque quem conta um conto, lhe acrescenta um ponto e porque o tempo ajuda a suavizar as arestas das nossas memórias, em vésperas de são martinho, também ele um viajante, aqui fica mais um post do vAleTe.


SUD-EXPRESS


Do ponto de vista de viajante, sempre achei que o comboio era o meio de transporte que mais promove o contacto entre as pessoas. Quer seja pela liberdade de movimentos que permite, a disposição das pessoas, ou até mesmo a carga histórica associada, sempre o encarei como algo mais do que uma forma que nos permite chegar a um destino, e que pode transformar a deslocação como parte, ela mesma, da nossa viagem.

Assim nasceu a ideia de embarcar a bordo daquele que é o percurso ferroviário mais antigo do mundo, que para além da carga histórica que já tinha, passou também a ligar a irmandade ibérica que constituí em espanha.

Outrora envolto numa mística do trânsito de imigrantes portugueses além fronteiras, hoje o Sud-Express é um comboio modernizado, com todos os benefícios e desvantagens que daí advêm. Parte do romantismo mantém-se, e é em grande parte devido à eternidade da entrada e saída de pessoas ao longo das inúmeras terras por onde vai passando. Assim aconteceu comigo. Um imprevisto levou-me a um vagão-cama, num compartimento onde o acaso juntou quatro estranhos, que com o arrastar das horas partilharam afinidades e divergências, algumas notas de imprensa, mas sobretudo experiências. Logo à partida, soube que iria ver correspondidas as minhas expectativas.

De um deles, tenho pouco a dizer. Filho de imigrantes, visitava portugal para rever parentes cada vez mais afastados pelo suceder das gerações, e das barreiras linguísticas.Do outro ocupante, senti essencialmente pena. Trabalhador da construção civil, não pode (ou não soube) aproveitar o que a mão cheia de países onde viveu lhe podia oferecer. Mas se o interesse em relação às culturas com que tinha contactado era pouco, o mesmo não se pode dizer da exaustiva análise que parecia efectuar ao tom polífónico, que em modo de repetição, entoava a música que neste verão parasitou todas as cadeias de televisão, quando o motivo, por mais remoto que fosse, fazia lembrar a selecção portuguesa de futebol... irra!

Se o cenário que tinha perante mim agoirava o princípio de um pesadelo, foi com agrado que vi entrar aquele que viria a ser a terceira peça do conjunto deste compartimento. A troca de palavras, incentivada pela obrigação da exaustiva partilha de um espaço comum, revelou um homem do norte, que (talvez goste eu de imaginar) se viu obrigado a abandonar o seu país por razões políticas. Casado com uma espanhola de santander (curiosamente aquele que se viria a tornar o meu destino passadas algumas horas), estabelecera-se em paris, há mais tempo do que a totalidade da minha própria existência podia constituir.

Os interesses comuns tornaram-se evidentes, desde o comentário a uma página solta de Orwell, ou ao desejo de um dia rumar a Este, do mesmo modo que o fazíamos nesse momento, mas de certa forma diferente, seja no conforto das carruagens, ou na nossa assepsia ocidental, e que só um transiberiano tão particularmente pode transmitir.

A partir deste momento, o tempo pareceu retomar o seu ritmo normal, e foi com entusiasmo que ouvi falar dos relatos de gente que outrora seguia o mesmo trajecto que nós.

Do resto da viagem, do reencontro de amigos e da estadia no País Basco espanhol e francês, muito fica por dizer, mas que melhor que imagens para o descrever?


(oriñón)


(landa)


(udalaitz)


(biarritz)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

manifesto anti-comodista

Depois do regresso de um fim de semana de concertos em santiago de compostela, eis que o vAleTe resolveu re-aparecer envolto em nevoeiro: "cof cof..."

Ao contrário do que possa parecer, este hiato bloguístico, não se deveu a carências na dose pessoal de vivências ou viagens. A experiência no luxemburgo foi incrível e as passagens por praga ou estocolmo ajudaram a preencher os rolos e as páginas do meu valete.

Ao sabor do tempo, os meus presentes continuam a dar lugar a pretéritos... e vice-versa. Estou novamente a viver em aveiro, mas sempre com uma agradável perspectiva de futuro incerto.

Para abrir o apetite a este manifesto anti-comodista, aqui ficam alguns instantâneos dos últimos meses.





(luxemburgo)


(estocolmo)

(praga)

(coimbra)

(Oquestrada - Tasca do Chico)

(figueira da foz)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Madrid from edmetralha on Vimeo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

um fim do mundo no centro do mundo

Olá!

Provavelmente tropeçaste no vAleTe e estarás surpreendido por finalmente haver um novo post! Infeliz/ felizmente não tenho tido muito tempo para o actualizar, mas como sinto que vos devo isto - a vocês e a mim - aqui fica um manifesto contra a preguiça!

Alguma vez te sentiste sozinho no meio de uma multidão?

Já tiveste a sensação de que o mundo por vezes parece flutuar à tua volta num ritmo completamente diferente do teu?

Se alguma vez te sentiste bem com este tipo de emoções, devias experimentar a viver um tempo no Luxemburgo – provavelmente o país mais cêntrico e isolado da Europa!

Se são muitas as nações vizinhas que estão apenas a poucos dedos de distância num mapa, uma visita a uma cidade de tamanho considerável (leia-se com pelo menos meio milhão de pessoas), envolve um esforço surpreendentemente grande, quer pela oferta de transportes existentes, o número de horas que implica e especialmente pela avidão de alimento que o teu porquinho-mealheiro vai requerer.

Ainda assim, e depois de um mês a viver no coração da europa, encontrei de novo tempo e forma de regressar às minhas viagens e nada melhor que começar por uma visita ao meu hermanito más pequeño, que está a fazer erasmus em Groningen, no norte da Holanda.

Depois de umas intermináveis 12h, cheguei por fim à estacão de comboios de Groningen onde tinha a espera o Erik. Embora fosse uma viagem pensada há bastante tempo, os planos eram praticamente inexistentes e deixámos que o fim de semana corresse o seu ritmo normal.

Deu para conhecer alguns dos amigos dele na residência (uma autêntica armada espanhola), houve passeios a pé e de bicicleta, no centro e fora da cidade, chuva, sol, dormir bem, comer bem, sem pressões ou compromissos. Concluindo, o melhor fim de semana que podia passar e ao estilo da Martin de Vargas!

Na hora da despedida, uma certeza: estes momentos vão repetir-se muitas vezes, com esta despreocupação e naturalidade de sempre!















(groningen)

Outras três semanas se passaram desde então e depois desta viagem soube bem um fim-de-semana caseiro pelo meio, para estar com os novos amigos, recarregar baterias e conhecer um bocadinho da noite do Luxemburgo.


Depois disto, aproveitei uma nova visita a Bruxelas financiada pela Comissão Europeia com o objectivo de dar a conhecer as várias instituições, para de uma só vez desencantar dois coelhos que ainda não tinham passado pela minha cartola: uma experiência de couchsurf e uma visita a outras cidades belgas - Bruges e Gent.




O primeiro deles não podia ter corrido melhor já que o William e o Guilaume, dois estudantes belgas, abriram as portas de casa para mim e para o Nuno, e aqui passámos um belo par de noites, que compensaram o facto das apresentações das "naves-mãe" da Europa deixarem algo a desejar…

Quanto ao resto do fim de semana, no sábado fui até Bruges com a companhia da Cláudia, a Laura e a Mila e no domingo regressámos ao Luxemburgo, com uma paragem de algumas horas em Gent, que para mim acabou por se revelar o melhor dos destinos!



(bruges)





(gent)

Ao fim de 4 dias fora, e com muito poucas horas de sono à mistura, soube bem regressar àquela que já começo a sentir como minha casa e que tenho a certeza de que um dia irei sentir saudades!



(clervaux)

Para terminar, outra viagem. Desta vez o destino foi Estrasburgo. Mais uma experiência de couchsurfing, desta vez com o Aurelién e a Magali que foram fantásticos comigo e com a Laura. Sem duvida gente interessante e nos mostraram um bocadinho da "outra face" de Estrasburgo. No domingo ainda nos levaram à zona de Barr e em casa do Philipe experimentámos o vinho da região.







(strasbourg)

(barr)

Até a próxima!

Ed.